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Sexta-Feira, 16/09/2011

Gestão de Recursos Hídricos

Modelagem da Bacia de Tucano

Estudos de Modelagem da Bacia de Tucano visam principalmente a previsão do comportamento hidráulico do aquífero ao longo dos anos, estabelecendo uma gestão adequada, com regime de bombeamento planejado e sustentável”.

João Batista Matos de Andrade é geólogo da Cerb  e mestre em Hidrogeologia e Recursos Hídricos

 

Confira a entrevista  com o mestre João Batista:

 

ASCOM- João Batista, você que já participou de tantas frentes de trabalhos na área de hidrogeologia aqui na Cerb, por que agora na gestão de recursos hídricos, atuando como coordenador do Grupo de Estudos de Modelagem da Bacia do Tucano Central?
João Batista- Gestão de recursos hídricos é um tema atual e premente. Não dá mais para continuarmos explorando os recursos hídricos sem um planejamento prévio, seguido de ações que nos permita saber quanto podemos explorar (explotar, segundo os conceitos da hidrogeologia) com sustentabilidade. Um segundo motivo, não menos importante, é o fato de ser um tema novo dentro da Cerb, desafiador, e isso não deixa de ser uma atração, combustível para que nos meus 28 anos de empresa não perca o “gás”.


Ascom- Premente, por quê?
J. B.-
Imagine, por exemplo, um grande empreendimento que necessite de abastecimento de água e que a fonte supridora seja uma barragem que se conheça apenas seu espelho d’água, sem dados de volume, regime pluviométrico da área, evaporação, entre outros. Sem dúvida em empreendimento de alto risco. Com o uso das águas subterrâneas também é assim, tem que se conhecer bem o aquífero e projetar o seu futuro versus a exploração, permitindo, assim, sustentabilidade ao longo dos anos.


Ascom- Qual a diferença entre gestão e planejamento?
J.B.
- Vou responder usando a definição do Prof.W.D.Costa (UFPE): gestão corresponde ao presente com visão de futuro e planejamento dirige-se ao futuro considerando o presente.
 

Ascom- Qual a finalidade da modelagem de aquífero?
J.B.-
A prática sustentável reza que o uso intensivo de águas subterrâneas seja acompanhado por modelagem com objetivo de prever o comportamento dos aquíferos ao longo da exploração continuada. Uma outra aplicação da modelagem está nos estudos e remediações de áreas contaminadas. Para o Projeto Tucano visa principalmente a previsão do comportamento hidráulico do aquífero ao longo dos anos, estabelecendo uma gestão adequada, com regime de bombeamento planejado e sustentável, evitando, assim, superexploração e interferência exacerbada entre poços.
 

Ascom- Como está indo o projeto de modelagem aqui na Cerb?
J.B.-
Em primeiro lugar vale lembrar que é uma atividade nova na Cerb; apesar do Grupo de Estudos ser composto por doutores, mestres e especialistas, não existe nenhum membro com experiência anterior no tema. Portanto, a meta é aprendendo fazendo. Estamos nos empenhando bem, motivados, entrando em contatos com empresas que possam nos ajudar, a exemplo da Petrobras e CPRM. Necessitamos de treinamento e consultoria, itens dependentes de contratações externas que ainda não se concretizaram, infelizmente.


Ascom- O conhecimento hidrogeológico e hidrológico que a Cerb tem do Estado da Bahia não é suficiente?
J.B.-
Não. Modelagem conceitual e matemática de aquífero depende de modernas técnicas, com uso de softwares específicos. Para você ter uma idéia, contamos com os dedos das mãos (talvez de apenas uma) os especialistas nesse tema no Brasil.


Ascom - Dá para você citar exemplos do uso desse instrumento na gestão de aquíferos?
J.B.-
Sim. Na Bahia, conhecemos apenas o modelamento do aquífero São Sebastião na área do Pólo Industrial de Camaçari - PIC, realizado pela Cetrel, através de consultoria externa. Este estudo permitiu à Cetrel um melhor planejamento na gestão do aquífero. Outros projetos de modelagens estão sendo efetuados no Brasil, que permite a gestão de aquíferos importantes que estavam sob risco de superexploração, a exemplo do grande aquífero Guarani, no Sul e Sudeste do Brasil e do aquífero Beberibe, em Pernambuco.


Ascom- Modelagem, pesquisa, estudos: são ações compatíveis com a missão da Cerb?
J.B. -
Não apenas com a missão, como também com a visão e valores. No seguimento da engenharia e geologia, entre outros, não deve existir uma dissociação entre produção e pesquisa. O que seria da Petrobras, uma das maiores produtoras de petróleo do mundo, sem o seu centro de pesquisa. Ademais, modéstia à parte, quem estaria mais habilitado que a Cerb  para execução de modelagem no aqüífero Tucano?


Ascom- Quais os conselhos para quem trabalha com pesquisa da Terra?
J.B.-
Não apenas da Terra, mas em qualquer seguimento: a humildade, a postura de aprendiz. Tenho muito receio de quem senta no conhecimento e já sabe tudo.
 

 

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